sábado, 1 de junho de 2013

O QUE PAULO FREIRE TEM HAVER COM A INCLUSÃO DE DEFICIENTES NA ESCOLA?

Autor: Miguel Felipe Gomes da Trindade

 RESUMO


A inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais em escolas comuns, ainda é, para a maioria das pessoas, uma questão bastante polêmica, inclusive para os educadores. Debater para melhor esclarecer a inclusão de deficientes nas escolas tradicionais é um caminho esclarecedor, capaz de tornar acessível e possível a todos, enxergar tanto a solidariedade, como principalmente igualdade de direitos assegurada pela lei brasileira. Na construção de uma sociedade justa e igualitária, onde a segregação comprovadamente tira de cada ser o direito de conhecer outras realidade e seguir redescobrindo-se, trazemos nesse texto as ideias do Educador Paulo Freire, como base dessa revolução educacional tão almejada por todos. A Inclusão é um grande desafio para todos os educadores, na medida em que falta informação e que o sistema educacional brasileiro engatinhar no fornecimento de estruturas de suporte para se fazer cumprir a lei, tornado nossos tutores “heróis excluídos”. No processo de melhor entender o assunto descobrimos que Incluir é colocar os alunos frente a frente com uma realidade de diferenças, mas de iguais direitos. Com base nesse conceito é que chegamos a realizar a ligação da literatura atual sobre inclusão, com as ideias de uma melhor escola propostas por Freire.

Palavras-chave: inclusão, educação, Método Paulo Freire.


INTRODUÇÃO

            
            Conscientes que haveríamos de realizar um Artigo de Revisão, de pronto sabíamos que não apenas deveríamos reafirmar o que educadores escreveram sobre inclusão, mas que teríamos que trazer conclusões novas, como base em diversos trabalhos sobre inclusão escolar.
            Mas como perceber coisas novas, com muito pouco tempo de leitura sobre inclusão? Como criar um discurso novo, com a pouca experiência nesse tipo de tarefa? Como extrair um ponto de vista a partir de discursos e informações empiricamente valida na ciência?
            Muito se fala em Educação Especial Inclusiva, mas poucos tem a noção correta a seu respeito. Dessa forma trazemos o seguinte conceito de Educação Especial: "Conjunto de medidas e recursos (humanos e materiais) que a administração educativa coloca à disposição dos alunos com necessidades educativas especiais: pessoas com algum tipo de défice, carência, disfunção ou incapacidade física, psíquica ou sensorial, que lhes impeça um adequado desenvolvimento e adaptação" (Ezequiel Ander-Egg, 1997, citado por Marilú M. Pereira).
            Precisamos evoluir na promoção de uma melhor qualidade de vida àqueles que, por algum motivo, necessitam de um atendimento mais adequado à sua realidade física, mental, sensorial e social, tratando-os com o olhar de igualdade, colocando o deficiente com o status de pessoas, não como um portador, não mais como um excepcional, mas como pessoas com características da deficiência diferenciando-a das demais.
            Após diversas leituras, vídeos assistidos e discussões com educadores, conseguimos identificar nos pensamentos de Paulo Freire um caminho filosófico não só capaz de justificar a inclusão social do deficiente na escola comum, como enxergar a inclusão como o meio de modificar e evoluir a própria escola.


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

            Todo e qualquer modismo surge como a solução a ser objetivada para a obtenção de uma maior qualidade e aproveitamento de recursos. Cada época traz consigo os modelos de fazer ciência, de interpretar os problemas e de enxergar o mundo. Esses modelos que surgem estão ligados a aspectos políticos, sociais e econômicos da sociedade, de forma que os caminhos propostos no campo educacional não fogem à regra, pois muitos e diferentes são os encaminhamentos que vão surgindo na história da educação em nosso pais e no mundo. Dentre estas propostas é que aparecem termos como:  “interdisciplinaridade”, “construtivismo”, ‘‘educação global”, “‘currículo transversal”,“centros de interesse”,  dentre outros. 
             Contudo devemos difundir e assegurar que a inclusão do deficiente na escola comum, não pode ser vista como uma tendência ou um modismo nas discussões tanto educacionais, quanto leigas, pois discutida incansavelmente, é matéria já aprova na nossa constituição. A luta agora é fazer com que a lei seja cumprida em sua totalidade e que possamos construir uma didática aperfeiçoada para a melhor construção do ser social.
            Temos no Brasil organizações que vem a tempos na luta pela inclusão e já temos uma legislação bem definida, muito forte e rica na defesa do direitos das pessoas com deficiência e agora sobre tudo, com a aprovação da convenção internacional das pessoas com deficiência podemos avaliar que em termos legais nós caminhamos e avançamos muito, mas o desafio de implementar toda essa legislação ainda persiste, para que os direitos assegurados sejam usufruídos por todas as pessoas com deficiência.
            A revolução a ser feita é colocar a educação especial no contexto da educação geral, ou seja, o dito deficiente deve ser atendido no mesmo ambiente que o não deficiente. Como tendência contemporânea, a essa evolução chamamos de Educação Inclusiva, uma vez que o deficiente é inserido em classes regulares de ensino, sendo tão digno e merecedor da educação como qualquer outra pessoa.
            Essa ideia pode ser baseada, a nosso ver, em uma realização bem conhecida, quando Paulo Freire, já com seu método de alfabetização de adultos, colocou o oprimido na história, tornando a pessoa invisível, em algo visibilizado pela cultura dominante. Isso é por si só um ato revolucionário. Seria a perspectiva de libertação, humanização e de conscientização, que parte do princípio de que: 1º Todos somos um ser curioso e estamos sempre fazendo uma leitura do mundo; 2º somos seres inacabados, incompletos e inconclusos, fazendo com que um ser precise do outro; 3º se nascemos como seres conectivos com o mundo que compartilhamos, então é dessa forma que se dá a transformação, pois somos seres em constante mutação e transformação.
            De acordo com Gadotti (2010), essa construção da conscientização e a busca pelo conhecimento de nossa população no que se refere a inclusão social, seja ela qual for, está justamente no  processo dialogal tão relatado por Paulo Freire e também proposto por Sócrates, de forma que para que você atinja o conhecimento, não basta ter apenas a informação, pois é necessário juntar a informação que você recebe com aquelas que você vivencia e daí poder concluir com uma decisão ética, com uma ação ética..
            Sabemos que a inclusão deve ser cuidadosa e racional, pois uma precipitação pode provocar mais frustração do que satisfação a pessoa com  necessidades especiais, que precisa ter condições mínimas para se adaptar a certas realidades, pois nada justifica o seu isolamento do convívio com outras pessoas, seja dentro ou fora da escola. Contudo, Julgamos que esse dialogo só pode ser concreto no fazer, ou seja, a inclusão escolar é um tema muito recente, pouco se tem de estudo que indique uma formula de melhor realiza-la e é melhor errar tentando fazer o correto, do que achar que o sujeito responsável pela evolução social do deficiente seja uma clinica médica ou apenas entidades “deposito de gente com necessidades especiais”.
            A conscientização de todos enquanto sociedade, sejam os educadores, os pais ou o próprio deficiente, está em oferecer a um ser a capacidade de aprender por si só, tendo como base inicial seu próprio aprendizado, conforme Paulo Freire. Aprender não é acumular conhecimentos, as informações são muito voláteis, elas envelhecem rapidamente, o importante é aprender a pensar sob cada realidade. Por isso é tão importante que possamos ampliar o “mundo” de uma pessoa em que as dificuldades motoras, ou de visão e audição, ou renal, etc, tendem a isola-lo.
            Segundo Paulo Freire, “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua produção ou a sua construção... Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. Ofertar a todos educação é preparar não somente o mudo para nossos filhos, mas preparar nossos filhos para o mundo, sedo eles capazes de serem mais; mais humanos, mais lutadores para que não morra a vontade de viver melhor, que sejam menos passivos, menos medrosos, mais uteis, enfim, ter mais qualidade enquanto gente.
Segundo Mantoan, no artigo: O Direito de Ser, Sendo Diferente, na Escola : “Há ainda que vencer os desafios que nos impõem o conservadorismo das instituições especializadas e enfrentar as pressões políticas e das pessoas com deficiência, que ainda estão muito habituadas a viver de seus rótulos e de benefícios que acentuam a incapacidade, a limitação, o paternalismo e o protecionismo social.”
            O grande objetivo é fazer com que a justiça social apareça antes da caridade. Dessa forma vemos os educadores como o pilar mais concreto para instigar essa revolução, que possivelmente durará o tempo de formação de toda uma nova geração. Para tanto não basta que eles apenas se ofereçam na plenitude de suas qualidades, é preciso que busquem melhorar seus conhecimentos, para lidar com salas que possuam diferentes necessidades de aprendizado e principalmente, que eles extrapolem as salas de aula e mostrem a sua comunidade, através de suas ações, que é possível lidar com o “diferente”, sem enxergá-lo como um incapaz e limitado. É necessário que o educador vença, através de novos conhecimentos, seus preconceitos, pois parafraseando Freire: “Educar-se é encharcar (impregnar) de sentido cada ato cotidiano”.
            O caminho parece longo, pois se a escola deve forma para a cidadania e pela cidadania, vislumbrando uma educação libertadora, então o aluno deve ser protagonista, devendo participar em tudo que diz respeito a sua vida e não apenas receber as normas de fora. Dessa forma, como é possível lidar com a inclusão social escolar se 80% dos alunos, segundo pesquisa citada por Gadotti, não gostam de ir a escola? Alguma coisa está errada, ou seja, o sistema adotado continua caminhando em uma direção errônea, onde o prazer de “saciar a fome da cabeça”, Paulo Freire, não tá sendo efetivado como deveria.
Mantoan relata: “É certo que os alunos com deficiência constituem uma grande preocupação para os educadores inclusivos, mas sabemos que a maioria dos alunos que fracassam nas escolas são crianças que não vêm do ensino especial, mas que possivelmente acabarão nele!”


CONSIDERAÇÕES FINAIS

            O conhecimento não é somente histórico, epistemológico, lógico, mais também dialógico. O grande caminho para evolução dos nossos sistemas de ensino é transformar esse conhecimento imposto, unilateral, incutidor de ideias, doutrinador, hierarquizado de cima para baixo, para um ensino dialético. A dialética é revolucionaria e construtora, a contradição é o berço da mudança, o berço da liberdade, o berço da transformação e ela somente se dá no dialogo. Para que possamos construir e muda o que tem que ser mudado, é preciso que a escola apenas não forme gente, mas sim os forme formando-se. Se todos já tivessem essa consciência, então a inclusão social do deficiente na escola já seria uma realidade.
            Tão importante quanto é para um deficiente usufruir do conhecimento e o convívio social trazido pela escola, também é preciso oportunizar ao aluno dito de escola tradicional a possibilidade de se sentir sujeito da inclusão, sendo capaz de achar normal a convivência com os ditos “especiais” para que sua realidade seja ampliada, sua cidadania seja plena e vivencie desde muito sedo a solidariedade. O aluno como sujeito social, prova dos saberes experienciais.
            A partir do movimento pela escola inclusiva, é que será possível a construção de uma visão ampliada e humanista sobre a educação, que fortalecem os princípios da não segregação, convivendo com a diversidade, a valorização da socialização e da igualdade, fomentando a relação professor-aluno-cultura escolar. Sendo através da análise e elaboração de estratégias próprias, de cada escola e de cada professor, a partir de sua realidade, de sua formação e convicções que aglutinaremos saberes novos sobre a inclusão, que irão auxiliar na construção de uma didática aperfeiçoada para trabalhos futuros.


 BIBLIOGRAFIA

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Artigo: O Direito de Ser, Sendo Diferente, na Escola. Publicado na Revista CEJ Conselho da Justiça Federal/Centro de Estudos Judiciários da Justiça Federal.Ano VIII/Setembro de 2004  Brasília/DF.  ISSN 1414-008X.

FREIRE, Paulo Reglus Neves. Pedagogia do oprimido.New York: Herder & Herder, (manuscrito em português de 1968). Publicado com Prefácio de Ernani Maria Fiori. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1970.

FREIRE, Paulo Reglus Neves . Entrevista no documentário Educadores do Brasil, Paulo Freire. (on line). Disponível: www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=eXYpwqcXI6s,  2010.

FREIRE, Paulo Reglus Neves. Entrevista no Programa Memória Viva, TV Universitária da UFRN. Gravado 1996. Reexibido em abril de 2013.

GADOTTI, Moacir. Educação e poder. (Cortez, 1988), Paulo Freire: Uma bibliografia (Cortez, 1996),

GADOTTI, Moacir. Entrevista no documentário Educadores do Brasil, Paulo Freire. (on line). Disponível: www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=eXYpwqcXI6s,  2010.

LIMA, Elvira Souza. Desenvolvimento e aprendizagem na escola: aspectos culturais, neurológicos e psicológicos. Grupo de estudos do desenvolvimento humano. Série “Separatas”. São Paulo, 1997.

OLIVEIRA, Michele Pereira. Artigo: Educação Inclusiva - Uma Necessidade Imediata. Disponivel: www.educacaoeinclusao.blogsport.com, 2008.

PEREIRA, Marilú Mourão. Artigo:Inclusão Escolar: Um Desafio Entre o Ideal e o Real. http://www.portaldaeducacao.com.br/pedagoria/artigo2284.

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